sexta-feira, 26 de maio de 2017

Por que treinar aikidô?

Me recordo do dia que comecei, não da data exata(foi em outubro de 1992), mas dos acontecimentos. Tinha 22 anos de idade. A matrícula fiz na hora do almoço(trabalhava ali perto) para a noite já começar, de quimono e tudo.

Para fazer a inscrição era necessário responder uma pergunta: qual o motivo da sua vontade em treinar aikidô?. Não preenchi. E não o fiz por que não sabia a resposta. Nem mesmo os filmes de Seagal da época eram motivo, como tantos informaram. Até mesmo por que nunca havia associado Seagal ao aikidô. Aliás, não sabia absolutamente nada do que era o aikidô. Portanto, se você está lendo esse texto procurando uma resposta objetiva para que você comece a treinar, leia até o final, é curtinho.

Cumprimentei o professor e me apresentei antes da aula. Os alunos mais antigos me orientaram nos passos iniciais de entrada no tatame. Perdido, tentei seguir a aula. Irimi nage e shiho nage. A dica de um senpai sobre o fato do nage sempre ter que estar confortável e o uke na situação oposta. Dica  que guardo e tento praticar até hoje. Foi interesse instantâneo. O desequilíbrio sem usar força bruta, a movimentação, o uso do corpo, tudo me interessou profundamente. A falta de competições e o fato de treinar para mim, sem precisar provar nada a ninguém foram a "cereja do bolo".

Os dias de treinos se passavam, se transformaram em meses e alguns anos. Até que durante um treino meu braço foi quebrado. Falta de perícia minha e também do nage. Tudo indicaria que ali acabaria o amor com a arte. Puro engano! Gesso, fisioterapia e logo em seguida a volta aos tatames, de forma definitiva. Surpresa para muitos, talvez alguns até quisessem que ali tivesse sido meu fim. Não foi. Tiveram que me engolir. E não foi por que uma arte marcial também serve para isso. Superar seus limites e obstáculos. Devidamente superados.

Alguns anos depois disso meu professor resolve parar de dar aula. Assumiu em seu lugar um aluno faixa marrom(1º kyu). Ficamos no dojo basicamente apenas eu e ele. Todos os outros alunos migraram para outro dojo, aonde o professor, também 1º kyu, atraía mais a atenção. Dessa vez, nova e maior superação, a falta de uma orientação sólida. Aí aprendi que o aikidô se faz também fora do tatame. E foi nesse instante que percebi que realmente não havia mais saída para mim, a arte fazia parte da minha vida.

Mudei de grupo, de professor, de cidade, de forma de treinar. Evoluí, aprendi. Cheguei à faixa preta(16 anos para isso) com um aikidô sólido. Mais 5 anos e atingi o segundo dan. Um total de 21 anos até então. Muitos nesse período já haviam chegado ao quarto ou quinto dan(nem tão habilidosos), outros pararam(muitos muito habilidosos). Nesse período tive a oportunidade de fundar o grupo Aikidô Piauí(2013), de participar de diversos seminários, inclusive do doshu Moriteru Ueshiba, e de treinar fora do Brasil. E ano que vem(2018), se tudo der certo, a visita ao Japão.

Sou aluno e professor, uma experiência completa, que melhora meu aikidô a cada dia. Que me faz ter certeza do caminho certo que tomei. Hoje, 25 anos depois(2017), me orgulho de cada passo que dei dentro da arte.

Mas, enfim, por que treinar aikidô? Para mim porquê me permitiu viver isso tudo, me permitiu ser uma pessoa do mundo, me permitiu conhecer como as outras pessoas são, me deu mais disposição para enfrentar as dificuldades, me deu mais confiança diante dos desafios, me deu o que sou hoje, uma pessoa bem melhor que há 25 anos atrás.

Não foi o bastante para você? Tudo bem! Tenho certeza que você ainda encontrará o seu "aikidô".

De toda forma acho que não custa nada tentar. Venha nos fazer uma visita, uma aula experimental. Aguardamos você. Um abraço!

Profit Academia Ininga
Quinta-feira de 20 as 21:30

Profit Academia Extra
Sábado de 16 as 17:30
Domingo de 16 as 18

2013 ~ 2017 - 4 anos de aikidô no Piauí




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